domingo, 30 de novembro de 2008

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Cogitando um caminho para a crise.

Analisando trecho da obra do pensamento deslumbrante de Henry Thoreau (Massachusetts, 1817/ 1862), autor do belíssimo livro: Walden ou A Vida Nos Bosques, e do ensaio: A Desobediência Civil, fonte de inspiração para um caminho fora do neoliberalismo.
De descendência francesa e escocesa, Henry Thoreau influenciou Gandhi e o movimento hippie; encanta e norteia adolescentes rebeldes, cativa intelectuais... Suas idéias propagam-se principalmente entre os anarquistas e atualmente nas campanhas do voto nulo aqui no Brasil.
Henry Thoreau foi o precursor da atitude de resistência passiva, contribuindo assim na luta pela independência da Índia e origem de reivindicações sociais como as greves; foi preso por não pagar impostos, e não pagava porque o dinheiro deste tributo era usado para financiar a escravidão.

Abaixo transcrevo trechos do ensaio: A Desobediência Civil:


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Um governo é, se tanto, um recurso conveniente; mas muitos governos são sempre, e todos em algumas ocasiões, inconvenientes.
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Os governos mostram assim com que êxito os homens podem ser ludibriados, e até ludibriar a si mesmo, em seu próprio benefício. Ótimo convenhamos.
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Pois o governo é um expediente diante do qual os homens de bom grado lograriam deixar um ao outro em paz: e, como já foi dito, ele é tanto mais expedito quanto mais deixa em paz seus governados.
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Acho que devemos em primeiro lugar ser homens, e só depois súditos. Não é desejável que se cultive um respeito à lei igual ao que se cultiva pelo que é correto. A única obrigação que tenho direito de assumir é a de fazer a todo momento o que julgo correto.
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-como a maioria dos legisladores, políticos, advogados, sacerdotes e funcionários- servem ao estado sobretudo com a cabeça; e, como eles raramente fazem distinções de ordem moral, é bem provável que sirvam ao Demônio, como servem a Deus, sem a menor intenção.
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Todos os homens reconhecem o direito à revolução, isto é, o direito de recusar sujeição ao governo e de resistir quando sua tirania ou incompetência são em alto grau e insuportáveis.
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Se eu arranquei injustamente a prancha de um homem em vias de se afogar, devo devolver-lhe ainda que eu me afogue.
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Há novecentos e noventa e nove patronos da virtude para cada homem virtuoso. Porém é mais fácil lidar com o verdadeiro possuidor de uma coisa do que com seu guardião temporário.
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Se este ano mil homens se recusassem a pagar impostos, isso não seria medida violenta ou sanguinária, como seria pelo contrário pagá-los, possibilitando assim o Estado a cometer violência e derramar sangue inocente. Esta é, na realidade, a proposta de uma revolução pacífica, se tal é possível. Se o coletor de impostos, ou qualquer outro funcionário público, me pergunta, como já me perguntou: "Mas o que é que eu vou fazer?", minha resposta é: "Se realmente deseja fazer alguma coisa, renuncie ao cargo". Quando o súdito negar o dever de obediência e o funcionário renunciar a seu cargo, realizou-se a revolução.
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No caso de alguém que vivesse totalmente sem o uso do dinheiro, o próprio Estado hesitaria em cobrar-lhe. Mas o homem rico- sem fazer qualquer comparação invejosa- está sempre vendido à instituição que o enriquece. Em termos absolutos, quanto mais dinheiro, menos virtude.
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Não nasci para que me forcem a coisa alguma. Respirarei à minha moda. Vejamos quem é o mais forte. Que força tem a multidão?
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Se uma planta não pode viver de acordo com a sua natureza, morre; e assim o homem.
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Estadistas e legisladores, mergulhados da cabeça aos pés dentro da instituição, nunca a contemplam de maneira definida e franca. Falam de mudar a sociedade, mas não contam com nenhum lugar de repouso fora dela.
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quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Refletindo sobre a crise econômica internacional.

Começo reproduzindo parte da imagem do neoliberalismo:
O modelo da educação pública no país é concepção de economistas neoliberais.
Como o Brasil não tem dinheiro para investir em educação, recorreu ao Banco Mundial, que influenciou no projeto educacional do país (que despautério...).Um motivo é qualificar para mão-de-obra mais barata a população de países subdesenvolvidos. Com o mercado globalizado, migram de países onde a mão-de-obra é mais cara, para os países onde a mão-de-obra é mais barata.

Tecendo estas idéias com a crise econômica internacional:
No país, para investir em saúde, educação, etc... não tem dinheiro...para investir em banqueiros tem... (eles não podem perder uma pequena porcentagem de seus lucros...).
Investindo nos bancos, o governo vai garantir a lucratividade do grande capital, compondo um grande monopólio, consequentemente aumentar os juros e o desemprego, e diminuir o crédito. Afinal só quem pode se lixar é a sociedade...

Segue para reflexão, uma parte do texto de Leonardo Boff, que tem o título: Estados europeus desalmados:
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Relata-nos o príncipe de nossos jornalistas, Mauro Santayana, no JB de 22/6, que nos anos 80 economistas e sociólogos norte americanos e europeus, sob o patrocínio de banqueiros, concluíram que era necessário afastar do consumo 4/5 da humanidade, a fim de garantir a gestão do planeta e manter os privilégios dos 20% de ricos. Os demais deveriam ser marginalizados até a sua extinção.
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Observação:
Entendo que o "afastar do consumo" é não ter acesso aos alimentos.

Se 20% dos habitantes da Terra são os donos das grandes fortunas, entre a maioria que corresponde aos 80% estão: os pobres, os miseráveis, os excluídos, classe média (que também faz parte dos excluídos)...etc...
Parece imprescindível que se pense em outro modelo de sociedade, fora do consumismo do capitalismo neoliberal.

Pode-se também debandar rumos para a crise...